Veio solteiro a esta ilha de S. Miguel, no tempo de Rui Gonçalves da Câmara, quinto Capitão dela e segundo do nome, um Rui de Frias, da geração dos Frias de Castela, castelhano, homem fidalgo, de muita qualidade, muito honrado e assim o parecia em sua pessoa e casou aqui com Lianor Pires, filha de Ginebra Anes e de seu segundo marido, João Vaz Feio, das Virtudes, da qual teve o dito Rui de Frias os filhos seguintes: o primeiro, Gregório de Frias, que casou na vila da Alagoa com Caterina Correia, mãe de Simão Correia, da qual houve uma filha por nome Ana de Frias, que faleceu solteira; o segundo filho, chamado Bertolameu de Frias, sendo pagem do Capitão Rui Gonçalves da Câmara, segundo do nome, faleceu em casa, solteiro, no tempo do dilúvio de Vila Franca.
Teve mais Rui de Frias três filhas; a primeira, Ana de Frias, faleceu também no mesmo terramoto, em casa do dito Capitão; a segunda filha, chamada Ginebra de Frias, foi casada com um filho de João Gonçalves Botelho e neto de Gonçalo Vaz Botelho, o Grande, do qual ficaram duas filhas, que faleceram solteiras no dito dilúvio de Vila Franca. O qual primeiro marido da dita Ginebra de Frias mataram em Rabo de Peixe uns irmãos da mulher de Diogueanes, da Ribeira Grande, sobre umas extremas de terras que ele tinha no mesmo lugar.
E depois casou Ginebra de Frias, segunda vez, com Fernão de Anes de Puga, irmão de Vasqueanes, abade de Moreira, ouvidor que foi do Eclesiástico nesta terra, o qual Fernão de Anes veio a esta ilha muito rico, com grande casa, como homem muito nobre que era; do qual houve estes filhos: o primeiro, António de Frias, que faleceu moço.
O segundo, o licenciado Bertolameu de Frias, grande jurisconsulto, homem muito grave, discreto, letrado de grandes e certos conselhos, e pai da pátria, o qual casou com Jordoa de Rezende, segunda filha de Domingos Afonso, do lugar de S. Roque, homem nobre, rico e poderoso, almoxarife que foi nesta ilha, da qual houve estes filhos: o primeiro, António de Frias, licenciado em leis, bom letrado e cavaleiro do hábito de Cristo, com boa tença, o qual casou com Breatiz Roiz e é agora padroeiro do insigne mosteiro de Santo André da cidade da Ponta Delgada, de religiosas de Santa Clara, à obediência do Bispo destas ilhas dos Açores. O segundo, João de Frias, que casou com D. Breatiz, filha de D. João Pereira, bisneto ou sobrinho do Conde da Feira, e de sua mulher D. Simoa, filha de Gaspar Perdomo e neta de Gaspar de Betencor, sobrinho da Capitoa D. Maria de Betencor, mulher de Rui Gonçalves da Câmara, terceiro Capitão desta ilha de S. Miguel. O terceiro, Manuel de Frias, licenciado em teologia, que faleceu estudante em Coimbra. O quarto, Domingos de Frias, morreu nas Índias de Castela. O quinto, André de Frias, letrado em leis. O sexto, Sebastião de Frias, faleceu em Coimbra, estudante, quase no cabo de seu estudo de cânones, sendo um dos mais raros engenhos e habilidades de seu tempo.
Teve mais o licenciado Bertolameu de Frias duas filhas, uma, chamada Maria de Frias, casada com António Brum da Silveira, e outra, Isabel de Frias, ainda solteira.
Os montanheses, em Castela, todos são fidalgos e têm suas enxecutorias que é a mais afinada fidalguia, e quando lá querem encarecer um de muito fidalgo, dizem: é montanhês e mui montanhês; e assim, não pagam alcavala, nem outras coisas, a que chamam pecho, que a outra gente paga.
Os vizinhos da cidade de Frias são destes fidalgos montanheses, da qual é duque o condestable de Castela, e destes montanheses vieram alguns a Viana e dela veio a esta terra Rui de Frias, que se aposentou e casou na vila da Alagoa, com cuja filha casou Fernão de Anes, pai do licenciado Bertolameu de Frias; e já agora seus filhos e descendentes, pela sua parte, são fidalgos dos montanheses, e por parte de sua mulher, são fidalgos dos Carreiros, e assim têm ambos os brasões que pertencem a estas duas progénias.
O segundo filho de Fernão de Anes e de sua mulher Ginebra de Frias, chamado Pero de Frias, letrado em leis, casou em Lisboa com uma mulher muito honrada que trouxe a esta ilha, e morou em Vila Franca, servindo muito tempo de juiz dos órfãos e na governança da dita vila, donde se tornou a Lisboa, onde foi também juiz dos órfãos e lá faleceu.
O terceiro, chamado Brás de Frias, faleceu solteiro.
Teve mais, Fernão de Anes, de sua mulher Ginebra de Frias três filhas: uma faleceu solteira; outra casou com Rui Pires, rico mercador, da ilha da Madeira; a terceira, chamada Catarina de Frias, casou com Brás Raposo, na cidade capitão de uma companhia, filho de Manuel Vaz Pacheco, de que tem filhos, e uma filha, chamada Maria Jácome, que casou com Manuel Martins, rico e grosso mercador e homem de delicado entendimento. Teve mais outra filha, chamada Clara de Frias e depois Clara de Jesus, por ser freira em S. João. A terceira filha de Rui de Frias e de Lianor Pires, chamada Isabel de Frias, foi casada com João Vaz Medeiros, filho de Rui Vaz Medeiros, da Atalhada, de que teve alguns filhos que faleceram, e um chamado Rui Vaz Medeiros, capitão dos aventureiros na cidade da Ponta Delgada, cavaleiro do hábito de Cristo com quinze mil reis de tença, que casou duas vezes, como tenho dito na geração dos Medeiros. Teve também uma filha, chamada Ana de Frias, que casou com Gonçalo Vaz, filho de Domingos Afonso, do lugar de Rosto de Cão, que faleceu, como seus irmãos.
Para maior declaração do sobredito, digo que Rui de Frias, avô do licenciado Bertolameu de Frias, e Romão de Frias, seu irmão, eram naturais das montanhas de Castela; e sendo Espanha dos mouros, dois irmãos, de sua geração, capitães de um exército, conquistaram a cidade de Frias, que é uma das principais cidades das Montanhas, e tendo ganhado a ponte e um castelo que nela estava, muito forte, acometeram a cidade e a tomaram. El-Rei lhe fez mercê, pela vitória, de lhes dar o castelo com título de alcaide-mor, donde tomaram o apelido de Frias, com as armas de que el-Rei lhe fez mercê, que são uma ponte, com um castelo sobre a ponte e rio, em campo vermelho, e a outra parte uma enzina com um lobo atado a ela, em campo amarelo. Correndo o tempo, houve o condestable de Castela de el-Rei ser duque da dita cidade de Frias e cometeu ao possuidor da alcaidaria lha largasse, e lhe satisfaria com outra coisa igual, o que não quis aceitar, sobre o que houve grandes bandos, onde se matou uma pessoa principal da casa do Condestable, que foi causa dos ditos Rui de Frias, avô do dito licenciado Bertolameu de Frias, e seu irmão Romão de Frias se absentarem de sua pátria e virem a esta ilha, onde Rui de Frias viveu muitos anos, na vila da Lagoa e sempre foi conhecido por homem fidalgo e como tal a governou, de juiz e vereador, que são os ofícios principais e honrados; e casou suas filhas com os mais honrados da terra e aqui faleceu. E seu irmão, Romão de Frias, casou na ilha da Madeira, na cidade do Funchal com uma mulher das principais, e viveu muitos anos e ficaram dele filhos e filhas, que casaram com os principais da terra; e ele foi tido sempre por fidalgo, e nessa conta estão agora os que dele procedem.
Fernão de Anes de Puga era natural de Ponte de Lima e procedia da geração dos Pugas, da cidade Dorens de Galiza, os quais desta geração são dos principais fidalgos da Galiza e Antre Douro e Minho; e a casa desta progénia dos Pugas tem soga e cuchilho, e por ser tal, indo Rui Vaz Medeiros a Portugal, foi ter a Ponte de Lima e, estando aí alguns dias, teve amizade com Fernão de Anes de Puga, e por estar informado de quem era, o cometeu com o casamento de Ginebra de Frias, filha de Rui de Frias, a qual foi primeiro casada com um irmão de João de Arruda e estava viúva, e por ter muita fazenda e Rui Vaz certificar a Fernão de Anes de Puga da honra de Rui de Frias, avô do licenciado Bertolameu de Frias, e de sua filha Ginebra de Frias, e da muita fazenda que tinha, assentou o casamento; e por essa causa veio a esta terra e aqui viveu muitos anos e sustentou sua casa com muitos criados e escravos, como quem era; e como tal era conhecido e andou sempre no regimento da vila da Ribeira Grande, em cujo termo era morador e pôs seus filhos no estado que está notório e no mais que tenho dito; e aqui o veio ver seu irmão, o abade de Moreira, que foi um dos principais homens de Antre Douro e Minho, em honra e renda, e como tal se tratou nesta ilha, com dois e três cavalos na estrebaria, os melhores que nela havia e acompanhado de muitos criados; e todos os principais desta terra lhe tinham muito acatamento e o acompanhavam; e foi ouvidor do eclesiástico alguns anos, e deixou nesta ilha um seu neto, por nome Manuel de Puga, homem de grandes espritos, e muita prudência e virtude, em casa do licenciado Bertolameu de Frias, seu sobrinho e tio do dito Manuel de Puga; o qual seu tio o casou com Luzia Cabral, filha de Belchior Tavares e de Simoa Cabral, sua mulher, e neta de João Tavares, filho de Rui Tavares, e neta de João Cabral, da vila da Alagoa, da geração dos Velhos e Cabrais, fidalgos e muito parentes de Gonçalo Velho, comendador de Almourol e senhor de Bezelga e das Pias, que foi o primeiro que por mandado do Infante D. Henrique descobriu estas ilhas de Santa Maria e de S. Miguel, e foi feito, pelo dito Infante, Capitão delas ambas.
Veio da Covilhã, de Portugal, a esta ilha, um homem muito honrado que chamavam João Vaz Feo, das Virtudes, porque curava por virtude, o qual, sendo menino muito pequeno, passando pelo caminho um fidalgo de Lisboa, que vinha de uma sua quinta e não tinha filho nenhum, como viu o menino tão bonito, perguntou-lhe se queria ir com ele; respondendo-lhe que sim, o levou nas ancas do cavalo e criou como filho, com o qual a mulher do fidalgo folgou muito. Era dotado de muitas virtudes e muito devoto e bem inclinado. Sendo já mancebo, teve uma dúvida com um homem e por se temer o fidalgo que falecesse o ferido, o mandou, muito encomendado, ao Capitão da ilha da Madeira, que era parente do mesmo fidalgo, encomendando-lhe tivesse em seu poder aquele mancebo que ele tinha como filho. O Capitão o estimava muito e, estando em sua casa, se casou, contra sua vontade, com uma sua vizinha, chamada Estevainha Vicente, da geração dos Colombreiros, mulher muito honrada; e por o fidalgo o desfavorecer, depois que soube que era casado, porque o mandava ir outra vez para Lisboa, para lhe fazer muito bem e perfilhá-lo, se veio descontente para a ilha de Santa Maria e trouxe consigo sua mulher; e sem embargo do desgosto que teve o fidalgo, por se casar, lhe houve dadas na ilha de Santa Maria, que havia pouco que se achara, que eram cinco moios de terra que alguns dizem lhe dar el-Rei pelo curar, e ali se aposentou com sua mulher, não tendo ainda filhos dela, e fazia muitas curas. Da qual Estevainha Vicente houve os filhos seguintes, sc., João Vaz Feo, que casou na ilha com uma filha de um rico mercador; o segundo, Vicente Vaz, casou com uma filha de um homem principal; o terceiro, chamavam........... que casou com uma filha de outro mercador; o quarto, Fernão Vaz, foi casado com uma Rezende, parenta de Domingos Afonso, sogro do licenciado Bertalomeu de Frias, e este Fernão Vaz teve uma filha que casou com o Capitão João Soares, chamada D. Jordoa, de que teve os filhos ditos na geração dos Capitães da ilha de Santa Maria. E outra filha de Fernão Vaz, chamada Filipa Faleira, casou com Francisco Curvelo, homem dos principais da ilha, que casou uma filha, por nome Camilha de Rezende, com um filho do almoxarife velho, que chamam João Tomé Velho; outra filha de Fernão Vaz, Ana de Rezende, casou também com outro filho do almoxarife velho.
Teve mais João Vaz, das Virtudes, um filho que chamavam Pero Vaz, mestre, que também curava por virtude e estancava, por devotas palavras, o sangue das feridas , o qual veio a esta ilha e casou na vila da Lagoa com Guiomar Alvres, filha de Pedralvres e de Inês Moura, colaça de D. Inês, mulher que foi de João Roiz, Capitão, que o casou com a dita Guiomar Alvres e lhe deu quatro moios de terra no Morro da Ribeira Grande, para ajuda de seu casamento. Teve mais João Vaz, das Virtudes, três filhas, sc., Bárbara Vaz que casou na ilha de Santa Maria com Álvaro Pires de Arvelos, que veio de Portugal, homem fidalgo, de que teve alguns filhos. A terceira filha de João Vaz chamavam Marquesa Vaz, casou com João da Fonte, homem mui honrado, que viveu rico e gastou sua fazenda em buscar uma ilha nova, que nunca se pôde achar.
Pero Vaz Marinheiro, homem nobre e poderoso, chamado assim porque mandou fazer naus e navios nesta ilha, e morava junto da Praça da cidade da Ponta Delgada, defronte da cadeia.
Teve estes filhos, Diogo Vaz, Duarte Vaz, João Vaz, Vultão Vaz. E filhas, Violante Pires, Catarina Pires e Grimaneza Pires. Diogo Vaz casou com Constança Afonso, irmã de Domingos Afonso, cavaleiro da ordem de Santiago, de que teve estes filhos: Breatiz Calva, Sebastião Vaz, Eva Vaz, Isabel Dias, mulher que foi de Lopo Cabral de Melo, e Isabel Vaz. Breatiz Calva casou com Gonçalo Castanho, homem nobre, natural de Viseu, escrivão na cidade da Ponta Delgada, sendo ainda vila, de que houve um filho, chamado Pero Castanho, homem valente, de grandes espritos, que casou com Briolanja Cabral, filha de Amador Travassos, da qual, afora os defuntos, houve estes filhos, sc., uma filha, chamada Francisca Cabral, que casou com o doutor Cristóvão de Mariz, que foi provedor dos Resíduos nesta ilha e depois corregedor em Ponte de Lima, e um filho, chamado Amador Travassos, estudante legista em Coimbra; e uma filha, chamada Breatiz Castanha, que casou com António Borges, filho de Baltesar Rebelo e de Guiomar Borges.
Vultão Vaz houve filhos e filhas, que se chamaram as Vultoas. Outro filho de Pero Vaz Marinheiro, chamado Pero Vaz, como seu pai, foi lealdador-mor dos pastéis, muito tempo, nesta ilha; casou com uma irmã de João Fernandes Paiva, de que houve os filhos ditos na geração dos Paivas. Outro filho, João Vaz, casou com Margarida Pires, do Algarve, de que houve filhos e filhas. Do outro, Duarte Vaz, direi adiante, e de Isabel Vaz, filha de Diogo Vaz.
João Alvres do Olho, homem nobre, que veio de Portugal, de sua primeira mulher, Violante Velha, filha de Pero Velho, teve os filhos que já disse na geração dos Velhos, sc., Álvaro Velho, Rui Velho, André Travassos e Pero Velho, e uma filha que casou com Pero da Costa. Casou este João Alvres do Olho, segunda vez, com Breatiz Alvres, filha de Pero Vaz Marinheiro, de que houve estes filhos: o primeiro, Manuel Alvres; a segunda, Breatiz Alvres; a terceira, Isabel Alvres, mulher que foi de Belchior Baldaia; a quarta, Caterina Alvres; a quinta, Bartolesa Fernandes; o sexto, Duarte Vaz.
O primeiro filho, chamado Manuel Alvres, casou com Constança Gonçalves, de que houve a João Alvres, bom sacerdote, que primeiro foi beneficiado na igreja de S. Sebastião, da cidade da Ponta Delgada e agora é cura no lugar dos Fenais. Houve mais Manuel Alvres a Maria Alvres, que casou com Rui Vaz Medeiros. E Rui Gonçalves, casado com Juliana Roiz, filha de Mestre Pedro.
Breatiz Alvres, filha de João Alvres do Olho, faleceu solteira. Catarina Alvres casou com um Fuão Ferreira. Bartolesa Fernandes casou com um filho de Lourençaires. E Duarte Vaz é ainda solteiro; dos quais logo tornarei a dizer outras particularidades que dizem.
Estêvão Travassos, filho de Pero Velho, que fez a ermida dos Remédios, e irmão de Gonçalo Velho, sogro de Jorge Nunes Botelho, casou com Catarina Gonçalves, filha de Gonçaleanes e de Catarina Afonso, naturais da cidade do Porto, o qual Gonçalo Anes e Catarina Afonso, tiveram filhos: a escrivoa velha, mulher de João Roiz, que foi escrivão da Câmara da cidade da Ponta Delgada, pai de Belchior Roiz, também escrivão da Câmara nela; e a mulher que foi de Pero Jorge, pai de Hierónimo Jorge, chamada Caterina Jorge; e outra filha que foi casada com Fernão da Costa. Teve mais o dito Gonçaleanes e Catarina Afonso um filho chamado Pero da Ponte, pai de Ciprião da Ponte, que casou na Ribeira Grande, primeira vez, com Maria Tavares, filha de João Tavares, de que houve uma filha, freira no mosteiro da dita vila; e casou segunda vez com Maria Ferreira, filha de Pero de Paiva e de Francisca Ferreira, de que tem filhos.
Duarte Vaz, de que atrás disse que diria, filho de Pero Vaz Marinheiro, casou com Maria Fernandes, framenga, de que houve três filhos sc., Breatiz Alvres, Margarida Alvres e Isabel Vaz. Breatiz Alvres casou com João Alvres, viúvo, chamado do Olho, por ter um olho com um jeito ou belida , de que houve filhos: Manuel Alvres, pai de João Alvres, cura dos Fenais; e João Alvres, que faleceu solteiro; e Duarte Vaz; e filhas: Margarida Alvres, que casou com João Cabral, que morava a Santa Clara, de que houve um filho, chamado Hierónimo Cabral, que agora é alcaide na vila da Ribeira Grande. E casou segunda vez com Bento Mendes, de que houve uma filha, ainda solteira. A segunda filha de João Alvres do Olho e de Breatiz Alvres, sua mulher, se chamou Maria Alvres e foi casada com Pero da Costa, de que houve uma filha, que é freira no mosteiro de Vila Franca. A terceira filha de João Alvres do Olho se chamava Isabel Alvres que casou com Belchior Baldaia, de que houve um filho, chamado João Baldaia, e duas filhas, sc., Isabel Baldaia, que casou com Baltesar Raposo, filho de João Fernandes, alcaide, e outra, chamada Maria Baldaia, que casou com Gaspar de Viveiros, morgado, filho de Hierónimo Jorge, de que teve filhas. A quarta filha de João Alvres do Olho, chamada Caterina Alvres casou com Manuel da Costa, de Santo António, de que houve filhos, e depois casou segunda vez com um filho de Diogo Afonso, como já contei na geração dos Velhos, dos quais houve alguns filhos e filhas.
A segunda filha de João Alvres do Olho, chamada Bartoleza Fernandes, casou com Gaspar Correia, filho de Lourençayres Rodovalho, juiz dos órfãos na cidade da Ponta Delgada, de que não houve filhos.
A segunda filha de Pero Vaz Marinheiro , chamada Margarida Alvres, casou com Álvaro Velho, de que houve filhos, Gaspar Velho, Baltesar Velho, Sebastião Velho, João Cabral; e filhas, Violante Velha e Maria Fernandes. Gaspar Velho casou com Maria Pais, filha de João Paes, almoxarife nesta ilha, de que houve filhos e filhas. Baltesar Velho e Sebastião Velho não casaram.
João Cabral casou com uma filha de João Roiz, dos Mosteiros. Violante Velha, filha de Álvaro Velho, casou com João Fernandes, filho de Duarte Fernandes, do lugar de Rabo de Peixe, de que houve um filho e duas filhas. Maria Fernandes, filha de Álvaro Velho, casou com Sebastião Gonçalves, feitor, morador na Relva, de que não tem filhos.
Isabel Vaz, terceira filha de Duarte Vaz, filho de Pero Vaz Marinheiro, casou com Lopo Dias, filho de Lopo Dias, da Praia, e de Maria Dias, de que houve filhos, Belchior Dias e Lopo Dias, solteiros, e outros que faleceram; e filhas, Breatiz Lopes, Maria Dias, Lianor Dias e outra que faleceu. A primeira filha de Lopo Dias e de Isabel Vaz, sua mulher, chamada Breatiz Lopes, casou com João Serrão, de que houve filhos, Miguel Serrão, Manuel Serrão, e filhas Catarina de Nabais, Isabel Serrã, e outros que faleceram, os quais foram casados e tiveram filhos e filhas, como já tenho contado na geração dos Novaes e Quentaes. Maria Dias, filha de Lopo Dias e de Isabel Vaz, casou com Frutuoso Dias, viúvo, de que houve filhos, João Dias e Manuel Dias, solteiros; e uma filha, chamada Maria Dias, que casou com Gaspar Fernandes, filho de António Fernandes, da Relva, e de Ana Esteves, de que tem filhos e filhas. Lianor Dias, terceira filha de Lopo Dias e de Isabel Vaz, casou com António Jorge, escrivão dos Resíduos, filho de um adaíl que foi em África e de Breatiz Gonçalves, de que houve filhos e filhas.
Violante Pires, primeira filha de Pero Vaz Marinheiro, casou com Bartolomeu Afonso Pereira, de alcunha o Rato, de que teve filhos, Duarte Afonso, Belchior Afonso e Baltesar Afonso, além de outros catorze, todos machos, que faleceram. Duarte Afonso casou com Maria Roiz, cujos filhos faleceram. Pedro Afonso Pereira, filho de Bertolameu Afonso, foi casado com Guiomar Fernandes, de que houve um filho, chamado Bertolameu Afonso, casado com Ana Velha, filha de Diogo Velho, e um filho que está na Índia, e outros que faleceram, e uma filha, chamada Isabel Pires, que casou com Amador da Costa, filho de Francisco de Arruda da Costa e de Francisca de Viveiros, de que tem filhos e filhas, duas delas freiras no mosteiro de Santo André, em Vila Franca. E outra filha de Pedro Afonso, chamada Briolanja Afonso, casou com Sebastião Velho, filho de Rui Velho e de Guiomar de Teves, de que tem filhos.
Catarina Pires, segunda filha de Pero Vaz Marinheiro, foi casada com João Roiz Badilha, de que teve filhos, Ambrósio Castanho, Francisco Roiz, João Roiz; e filhas, Isabel Castanha, Maria Roiz, Lianor Dias, e Breatiz Castanha, que faleceu solteira. Casou Ambrósio Castanho com Breatiz Ferreira, filha de Álvaro Pires e de Lianor Dias, de que houve filhos e filhas. Pero Roiz casou com uma Fuã Dornelas. João Fernandes casou com uma sobrinha de mestre Gaspar, chamada Ginebra da Costa. Isabel Castanha casou com Pedralvres Benavides, alcaide, de que houve um filho que faleceu solteiro, chamado Gaspar Roiz, e duas filhas, Breatiz Roiz e Solanda Roiz. A Breatiz Roiz casou com Amador de Teves, filho de Pero de Teve e de Fuã de Mezas, de que houve filhos, Gaspar de Teves que casou com uma filha de Manuel Machado e de Lianor Ferreira, de que tem filhos e filhas. A segunda filha de Pedralvres Benavides, alcaide, se chama Solanda Roiz, casou com Cristóvão Cordeiro, filho de Sebastião Rodrigues Panchina e de sua mulher, da qual houve filhos e filhas, que disse na geração dos Cordeiros.
Maria Roiz, segunda filha de João Roiz Badilha, casou com João Fernandes Orelhudo, de Santa Clara, de que houve filhos e filhas. O primeiro, Manuel Fernandes, casou com uma Travassos , de que tem um filho. O segundo filho de João Fernandes, chamado João Roiz, casou com uma filha de João Soares, o Velho, dos Mosteiros, de que tem filhos e filhas. E outro filho sacerdote, que faleceu. A primeira filha de João Fernandes e de Maria Roiz Castanha se chama Maria Castanha, casou com António da Costa, de Santo António, de que tem filhos e filhas, uma das quais foi casada com Domingos Fernandes Cafatim. A segunda filha de João Fernandes e de Maria Roiz, chamada Isabel Castanha, casou com Luís Rebelo, filho de Simão Roiz Rebelo e de Joana Botelha, de que tem filhos e filhas. Tem mais João Fernandes outra filha, solteira, chamada Lianor Fernandes.
Lianor Dias, terceira filha de João Roiz Badilha, casou com Francisco Preto, de que houve dois filhos que faleceram.
Grimaneza Pires, terceira filha de Pero Vaz Marinheiro, casou com Estêvão Roiz de Alpoem, escrivão dos órfãos na cidade da Ponta Delgada, de que houve filhos, Rui de Alpoem e Margarida de Alpoem, afora outros que faleceram. Rui de Alpoem casou com Isabel Lopes, de que tem filhos e filhas. Margarida de Alpoem casou com Hector Roiz , filho de Guiomar Alvres, irmã de Pedralvres, alcaide e não pude saber o nome de seu marido: de que teve um filho, chamado Gaspar de Alpoem, que casou com uma filha do licenciado Francisco Gavião.
Outra filha teve Diogo Vaz, filho de Pero Vaz Marinheiro, chamada Isabel Vaz, atrás nomeada, que casou com Miguel Martins, muito valente homem, natural da ilha da Madeira, de que houve estes filhos: João Martins, Miguel Martins, Francisco Martins, Joana Martins e Caterina Martins, mulher que foi de João Alvres Examinado, morador na vila da Alagoa, e Maria Martins, mulher que foi de João Lourenço, chamado Tição, escrivão dos Resíduos nesta ilha; e todos tiveram filhos e filhas e descendentes muito honrados.
Manuel Pavão veio casado de Portugal a esta ilha no tempo de Rui Gonçalves da Câmara, quinto Capitão dela e segundo do nome, e habitou primeiramente na vila da Água do Pau e houve de sua mulher três filhos: — o primeiro, Manuel Pavão , que foi casado com Guiomar Viana e houve dela três filhos, sc., Gaspar Manuel, André Manuel e Manuel Afonso Pavão.
Gaspar Manuel casou com Violante de Vasconcelos, filha de Diogo de Oliveira, e houve dela três filhos: — Manuel de Oliveira, Pero Manuel e Pedro, que faleceu moço. O Manuel de Oliveira casou com uma filha de Manuel de Crasto, de que não teve filhos; o Pero Manuel casou em Lisboa e não teve filhos.
Teve mais Gaspar Manuel uma filha chamada Marquesa Manuel, que casou a primeira vez com Sebastião Vicente, de que teve um filho que agora está casado na vila de Água do Pau.
André Manuel, segundo filho de Pero Manuel Pavão e de sua mulher, Guiomar Viana, casou com uma filha de João Gonçalves, da ilha da Madeira, de que houve dois filhos: um chamado Gaspar Manuel, que casou em as Sete Cidades, e outro, Manuel Afonso, que faleceu solteiro.
Manuel Afonso Pavão, filho de Pero Manuel e de Guiomar Viana, sua mulher, casou com Lianor Soeira, filha de Garcia Roiz Camelo, da cidade da Ponta Delgada, de que houve estes filhos, sc., Pero Manuel Pavão, que casou duas vezes e outro, chamado João Roiz Pavão, que casou primeira vez com Maria Pimentel, filha de João Lourenço Tição e de Maria Martins Pimentel, de que tem uma filha, por nome Maria de São João, freira professa no mosteiro de Santo André, da cidade; e segunda vez nas Sete Cidades . E outro, por nome Simão Rodrigues Pavão, sacerdote que foi e vigairo da freguesia de S. Roque, no lugar de Rosto de Cão.
Houve mais Manuel Afonso Pavão, filho de Pero Manuel, duas filhas, uma chamada Breatiz Roiz, que casou com o licenciado António de Frias, cavaleiro do hábito de Cristo, padroeiro do mosteiro de Santo André, da cidade da Ponta Delgada; e outra, Guiomar Soeira, que casou com Pero de Teves, filho de António da Mota, morador em Rosto de Cão, de que tem filhos e filhas.
O segundo filho de Manuel Afonso Pavão, o Velho, se chamava João Manuel Pavão, que casou com Inês de Oliveira, filha de Diogo de Oliveira e de sua mulher; houve dela dois filhos: Diogo Manuel que casou com uma filha de Daniel Fernandes, de que houve dois filhos e duas filhas; o segundo filho, chamado Manuel Afonso Pavão, casou com Margarida Anes, filha de João Gonçalves, da ilha da Madeira, e de Branca Alvres sua mulher, de que houve filhos e filhas. Houve mais João Manuel, de sua mulher Inês de Oliveira, quatro filhas: a primeira casou com Sebastião Gonçalves dos Poços, de que houve muitos filhos e filhas; a segunda filha, Isabel Manuel, casou também e não sei se teve filhos; a terceira filha, Maria Manuel, casou com Braz Dias Caridade, de que tem algumas filhas; a quarta filha de João Manuel e de Inês de Oliveira, chamada Guiomar de Oliveira, casou com Sebastião Afonso de Sousa , dos nobres Sousas, capitão na Bretanha, de que houve muitos filhos e filhas, um dos quais é bom letrado, e todos homens para muito .
O terceiro filho de Manuel Afonso Pavão, o Velho, chamado Pero Manuel, foi casado com Inês Pinheira, filha de Pero Luís, o Velho, e de Violante de Sousa, sua mulher, de que houve algumas filhas que casaram honradamente, uma das quais, chamada Maria Manuel, casou com Fernão Roiz Medeiros, da vila da Alagoa, filho de Vasco de Medeiros e de Luzia da Ponte, sua mulher.
Houve mais Manuel Afonso Pavão, de sua mulher, quatro filhas, sc., Inês Manuel que casou com Estêvão de Oliveira, de que houve quatro filhos e quatro filhas. O primeiro filho Diogo de Oliveira, casou com Lianor Afonso, filha de Gonçalo Afonso Giraldo, morador na Água do Pau, de que houve um filho, chamado Estêvão de Oliveira, que casou com uma filha de Gonçalo Pires Leão, de que tem filhos e filhas, e um filho clérigo. O segundo filho de Estêvão de Oliveira e de sua mulher Inês Manuel, chamado Sebastião de Oliveira, casou com Joana Fernandes, filha de Mateus Dias e de Francisca Jorge, sua mulher, de que houve muitos filhos e filhas. O terceiro filho de Estêvão de Oliveira e de Inês Manuel, se chama Manuel de Oliveira, licenciado em leis, bom letrado e de muita experiência, que casou com Isabel Nogueira, filha de Estêvão Nogueira, de que tem um filho, chamado Manuel de Oliveira , mui esforçado e grande cavaleiro, e duas filhas, sc., D. Isabel, casada com Francisco de Arruda da Cunha, bisneto de João Soares de Sousa, Capitão da ilha de Santa Maria, que foi casado com uma neta do primeiro Capitão que foi desta ilha de S. Miguel, e outra filha, chamada Francisca de Oliveira, casada com Miguel Lopes de Araújo, filho de Gaspar Dias. O quarto filho de Estêvão de Oliveira, chamado Rui de Oliveira, casou com uma filha de mestre Gaspar, na cidade da Ponta Delgada.
Das quatro filhas de Estêvão de Oliveira e de sua mulher Inês Manuel, a primeira, chamada Catarina de Oliveira, casou com Sebastião Lopes, filho de Guterres Lopes, de que houve muitos filhos e filhas. A segunda filha, Isabel de Oliveira, faleceu solteira. A terceira, Maria de Oliveira casou com Gaspar Fernandes, do Cabouco, de que houve muitos filhos e filhas. A quarta, Hierónima de Oliveira, casou com Lucas de Rezende, filho de Domingos Afonso, do lugar de Rosto de Cão, e de sua mulher, de que tem muitos filhos e filhas.
A segunda filha de Manuel Afonso, o Velho, se chamava Guiomar Manuel e casou com Guterres Lopes, cavaleiro e homem muito honrado e valente, de que houve quatro filhos, sc., João Lopes, Diogo Lopes, Pero Guterres e Domingos Guterres, que todos se foram para fora desta ilha, para as Índias de Castela e para o Brasil e Canárias. E uma filha, que casou com Salvador Daniel, de que tem um filho chamado Francisco Daniel, casado com uma filha de Sebastião Pires Paiva, na Ribeira Grande.
A terceira filha de Manuel Afonso, o Velho, chamada Ana Manuel, foi casada, primeira vez, com Rodrigualvres, de que houve três filhos, sc., Pero Roiz, Lourenço Roiz e Roque Rodrigues, todos homens honrados. Pero Roiz casou com Francisca de Frielas, filha de Fernão Lopes de Frielas, de que houve um filho, chamado Manuel Roiz, que foi para as Índias de Castela e lá faleceu; e outro, chamado Pero Roiz, que casou com uma filha que teve Salvador Daniel, da primeira mulher, neta de Baltasar Roiz, de Santa Clara. Lourenço Roiz casou primeira vez com uma filha de Pero Esteves, chamada Caterina Vaz, de que houve um filho, chamado Miguel Roiz, e duas filhas que casaram na vila de Água do Pau . Casou Lourenço Roiz, a segunda vez, com uma filha de Brás de Almeida e de Isabel de Sequeira, de que tem filhos e filhas.
Roque Roiz, terceiro filho de Rodrigalvres e de Ana Manuel, sua mulher, foi casado com Isabel de Oliveira, a primeira vez, de que houve um filho que faleceu; e segunda vez casou com Madalena Delgada, filha de Gonçalo Vaz Delgado, de que não houve filhos, e faleceu no Cabo Verde.
A quarta filha de Manuel Afonso, o Velho, foi casada com Rui de Oliveira, de que houve um filho.
Teve mais Luís de Oliveira duas filhas, uma chamada Maria de Oliveira, que foi casada com Vicente Pires, e outra com João Dias, filho de João Bastião.
Outros afirmam, por mais certo, que veio a esta ilha logo no princípio do descobrimento dela um Afonso Roiz Pavão, alemão, com sua mulher, natural de Aragão, a que não soube o nome.
Teve quatro filhos e três filhas: uma chamada Mécia Afonso, bisavó dos filhos de Amador da Costa; outra Africanes, a qual casou na ilha de Santa Maria; outra, de que nasceram Álvaro Pires, da Lomba, Duarte Pires e outros.
O primeiro filho de Afonso Roiz Pavão, chamado Manuel Afonso Pavão, teve estes filhos, sc., Pero Manuel, o Velho; João Manuel; Pero Manuel, o Moço; e seis filhas: uma delas casou com Guterres Lopes; outra, Ana Manuel, mãe de Lourenço Roiz, de Água do Pau; outra, mulher de Estêvão de Oliveira, pai do licenciado Manuel de Oliveira, grande jurisconsulto.
Teve Pero Manuel, o Velho, filho de Manuel Afonso Pavão, estes filhos: André Manuel, Gaspar Manuel e Manuel Afonso Pavão, o qual Manuel Afonso teve doze filhos: o primeiro João Roiz; o segundo Pero Manuel; o terceiro Garcia Roiz; o quarto Diogo Vaz, que faleceu de vinte e cinco anos; o quinto Guiomar Soeira, mulher de Pero de Teive; o sexto António Afonso; o sétimo Simão Rodrigues Camelo, bom sacerdote, vigairo de S. Roque; o oitavo Manuel Pavão; o nono Breatiz, que faleceu moça; o décimo Rui Vaz; o undécimo Matias Camelo; o duodécimo Breatiz Roiz, mulher do licenciado António de Frias.
Um Rui Vaz Camelo, do Castelo da Feira, teve nove filhos, homens, no tempo de el-Rei D. João, de boa memória, e com todos o serviu na guerra. Dizem que tendo uma dúvida com um Bispo, indo visitar sobre o assento de sua mulher, lhe deu com uma cana na cabeça, pelo que lhe mandou el-Rei semear a casa de sal. Nesta dispersão se veio a esta ilha um seu filho, chamado Garcia Roiz Camelo, com Fernão Camelo, seu primo com-irmão, e casou nesta terra com Guiomar Soeira; teve dela quatro filhos, sc., João Roiz Camelo, pai do licenciado António Camelo, grande cavaleiro e letrado; Breatiz Rodrigues, mulher de Diogo Vaz Carreiro, que fez e dotou o mosteiro de Santo André, da cidade da Ponta Delgada; outro filho, chamado Henrique, faleceu moço, e outra filha, Lianor Soeira, casou com Manuel Afonso Pavão, filho de Manuel Afonso Pavão, o Velho, de que houve os doze filhos que disse, um dos quais foi Simão Roiz Camelo, vigairo de S. Roque, nesta ilha de S. Miguel.
Falecida Guiomar Soeira, casou Garcia Roiz Camelo segunda vez com Maria Travassos, filha do contador Martim Vaz Bulhão, de que teve sete filhos: João Botelho; Isabel Botelha, mulher de Rui Gago da Câmara; Hierónima de Melo, mulher de Roque Gonçalves Caiado; e Francisco de Melo, que se foi desta terra; António Botelho, já defunto; Francisca da Trindade, também defunta; Maria da Trindade, freira e boa religiosa no mosteiro da Ribeira Grande, a qual no mosteiro de Santo André, da cidade da Ponta Delgada, foi alguns anos abadessa.
A geração dos Vasconcelos dizem proceder do senhor de Gasconha, que alguns chamam Vasconha, grande senhor em França, donde procedeu Rui Mendes de Vasconcelos que teve um filho chamado Martim de Oliveira de Vasconcelos, casado com Tareja Velha, irmã de Gonçalo Velho, comendador de Almourol e Cardiga e senhor da Bezelga e Capitão destas ilhas de S. Miguel e Santa Maria. O qual Martim de Oliveira, sendo da casa dos Infantes D. Anrique e D. Fernando, de quem estas ilhas eram, veio a esta ilha com sua mulher e filhos; e não querendo viver nela, se tornou para o Reino, deixando aqui a seu filho , Diogo de Oliveira de Vasconcelos, homem nobre que veio com seu pai de Portugal, dizem que de Beja de Alentejo, casado com Maria Esteves, filha de Afonso Velho, homem poderoso, da geração dos Velhos , de que houve seis filhos: Diogo de Vasconcelos, Estêvão de Oliveira, Rui de Oliveira, Martim de Oliveira, João de Oliveira e Afonso de Oliveira; e duas filhas, Isabel de Vasconcelos e Violante de Vasconcelos.
O primeiro filho de Diogo de Oliveira, chamado Diogo de Vasconcelos, foi licenciado em leis e ouvidor do Capitão Rui Gonçalves da Câmara, pai de Manuel da Câmara, nesta ilha muitos anos, e juiz dos Resíduos; foi casado com Genebra Anes, filha de Diogo Vaz, morador na vila da Alagoa, irmão de Pero Vaz Marinheiro, de que houve muitos filhos e filhas. E um se chamava Manuel Vaz, que foi casado com uma filha de Domingos Afonso, do lugar de Rosto de Cão, de que houve um filho chamado Jordão de Vasconcelos, homem de grandes espíritos e grandiosa condição, que está solteiro. Houve mais, entre outros filhos e filhas, o licenciado Diogo de Vasconcelos, outro filho chamado Diogo de Vasconcelos, como seu pai, que foi a melhor contrabaixa que houve nestas ilhas dos Açores.
O segundo filho de Diogo de Oliveira, chamado Estevão de Oliveira, foi casado com Inês Manuel, filha de Manuel Afonso Pavão, o Velho, de que houve filhos e filhas, como disse na geração dos Pavões.
O terceiro filho de Diogo de Oliveira, chamado Rui de Oliveira, casou com a quarta filha de Manuel Afonso Pavão, o Velho, de que houve os filhos que disse na geração dos Pavões.
O quarto filho de Diogo de Oliveira, chamado Martim de Oliveira, casou com uma filha de João Gonçalves, da ilha da Madeira, a primeira vez, de que houve filhos e filhas. E casou segunda vez com uma filha de Domingos Afonso, do lugar de Rosto de Cão, de que houve filhos e filhas.
O quinto filho de Diogo de Oliveira, por nome João de Oliveira, casou com uma filha de Gonçalo Vaz e de Guiomar Fernandes, naturais de Água do Pau, de que houve muitos filhos e filhas que estão casados.
O sexto filho de Diogo de Oliveira, chamado Afonso de Oliveira, foi casado com Solanda Lopes, filha de Afonseanes, de alcunha Mouro Velho, Colombreiro, de que houve alguns filhos.
Teve mais Diogo de Oliveira duas filhas: a primeira, Isabel de Vasconcelos, casou com João Pires, filho de Pedreanes Preto, natural de Água do Pau, que foi escrivão na cidade da Ponta Delgada, de que houve três filhos e uma filha: o primeiro filho, chamado Amador de Vasconcelos, foi estribeiro do Infante D. Afonso, que foi Arcebispo de Évora e Cardeal, e lá casou e faleceu; o segundo filho, chamado Pero de Oliveira, aprendia para clérigo, músico, tangedor, de boas partes e gentil homem, faleceu moço, andando aprendendo; o terceiro filho, chamado Diogo de Oliveira, casou na cidade da Ponta Delgada com uma parenta de Aires de Oliveira e é falecido. Teve mais João Pires uma filha de Isabel de Vasconcelos, sua mulher, chamada Catarina de Oliveira, que foi casada com Gonçalo Mourato, escrivão que foi dos Resíduos, de que teve filhos e filhas, e um filho sacerdote, já defunto. A segunda filha de Diogo de Oliveira, chamada Violante de Vasconcelos, casou com Gaspar Manuel Pavão, de que houve filhos e filhas, como disse na geração dos Pavões.
Pedreanes Preto, homem principal, veio de fora e aposentou-se em a vila de Água do Pau, já casado com Catarina Alvres , de que houve três filhos e uma filha. O primeiro filho, João Pires, casou com Isabel de Vasconcelos, filha de Diogo de Oliveira e de Maria Esteves, sua mulher, da qual houve os filhos que disse na geração de Diogo de Oliveira. O segundo, Gaspar Pires, cavaleiro de África, casou com Maria Jorge, de que já disse na geração dos Jorges e dos filhos que teve. O terceiro filho, Sebastião Pires Carvalho, foi casado, a primeira vez, com uma filha de João Alvres, o Moço, e de Margarida Afonso, sua mulher, de que houve filhos e filhas, dos quais estão alguns casados na vila de Água do Pau, e casou segunda vez com Tareja Lopes, filha de Lopo Esteves Lajo, de que houve muitos filhos e filhas.
Teve mais Pedreanes Preto de sua mulher Catarina Luís, duas filhas, uma chamada Ágada Pires, que foi casada com Sebastião Barbosa, o Moço, que foi à África, filho de Rui Lopes Barbosa, de que houve dois filhos: o segundo, Rui Barbosa da Silva, que foi escrivão na cidade da Ponta Delgada e casou com uma filha de Diogo de Paiva, da Alagoa, de que houve alguns filhos e uma filha, chamada Lucrécia Barbosa.
João Alvres, cavaleiro de África, homem muito honrado, veio de Portugal e casou na Água do Pau com Leonor Afonso, filha de Lourenço Afonso, homem dos principais, de que houve quatro filhos, sc., Vicente de Almeida, Simão Roiz, Brás de Almeida e Francisco de Almeida e uma filha.
O primeiro filho, chamado Vicente de Almeida, casou com Ana Manuel, viúva, mãe de Pero Roiz, de Lourenço Roiz e de Roque Roiz, de que já disse na geração dos Manuéis; de que não houve filhos. Foi homem honrado, de boas partes e da governança.
O segundo filho, Simão Roiz, foi casado na ilha da Madeira, a primeira vez, e não houve filhos. Casou segunda vez no Topo, da ilha de S. Jorge, com uma mulher honrada e fidalga, de que também não houve filhos.
O terceiro filho, Brás de Almeida, casou com Isabel de Sequeira, filha de Afonso de Sequeira, pai de Lucas de Sequeira, sogro de Francisco Lobo, de que houve um filho e duas filhas. O filho faleceu em Lisboa, criado do Capitão Manuel da Câmara, e as filhas casaram na vila de Água do Pau, uma com Amador Coelho, de que não houve filhos .
O quarto filho, chamado Francisco de Almeida, homem honrado e de boas partes, aprendia para clérigo e veio a casar-se com Maria Camela, filha de Francisco Camacho e de Maria da Silva, sua mulher, de que houve três filhas, que casaram, uma com Manuel Lopes, filho de Sebastião Lopes e de Guiomar de Oliveira, sua mulher, de que tem um filho clérigo, chamado Francisco Lopes, e outros filhos. As outras também estão casadas com homens honrados.
A filha de João Alvres Cavaleiro, por nome Ciprioa de Almeida, foi casada com Fernão Cardoso, homem fidalgo, do Topo, de S. Jorge, de que não teve filhos. E casou ela, a segunda vez, com Lourençayres, juiz dos órfãos na cidade da Ponta Delgada, de que houve alguns filhos.
No tempo do Capitão Rui Gonçalves da Câmara, segundo do nome, veio a esta ilha de S.
Miguel Lope Anes de Araújo, de Viana, na era de mil e quinhentos e seis anos, pouco mais ou menos, rico e abastado e dos principais de Viana, donde era natural, e o mesmo foi nesta ilha.
Casou com Guiomar Roiz, filha de Rui Vaz Medeiros e de sua mulher Mécia Gonçalves. Teve filhas: Maria de Araújo, Inês Gonçalves, Lianor do Paraíso, Ana da Madre de Deus, Guiomar de Santiago, freiras no mosteiro de Santo André, de Vila Franca, e Breatiz de Medeiros; filhos: Matias Lopes, Miguel Lopes, Hierónimo de Araújo.
Maria de Araújo Pereira, filha de Lopeanes, o Velho, casou com António Furtado, cidadão de Vila Franca, filho de Rui Martins e de Maria Roiz; teve filhos: Rui Martins, clérigo, já defunto, Lopeanes Furtado, também cidadão de Vila Franca; Manuel Furtado, que faleceu solteiro; filhas: Lianor de Medeiros, Jordoa Botelha, Maria de Araújo e duas falecidas no mosteiro da dita vila. Lopeanes Furtado, filho de António Furtado, casou a primeira vez com Maria Jácome, filha de Manuel Vaz; faleceu ela sem ter filhos. Casou segunda vez com Inês Correia, filha de Gaspar Correia, juiz dos órfãos que foi na cidade da Ponta Delgada; tem dois filhos e uma filha.
Lianor de Medeiros casou com Fernão Vaz Pacheco, filho de Belchior Dias, de Porto Fermoso, de que tem filhos e filhas. Jordoa Botelha casou com Custódio Pacheco, de que tem filhos e filhas. Maria de Araújo, filha de António Furtado, casou com Pero de Freitas, filho de Pero de Freitas e de Briolanja Manuel; tem filhos e filhas.
Inês Gonçalves, segunda filha de Lopeanes de Araújo, o Velho, casou com Gaspar Pires, o Preto; não teve filhos.
Breatiz de Medeiros, terceira filha de Lopeanes, o Velho, casou com João da Mota, cidadão de Vila Franca, filho de Jorge da Mota; teve filhos, João de Medeiros, Miguel Botelho, António da Costa, Jorge da Mota, Hierónimo de Araújo, clérigo, Matias da Mota, falecidos três. João de Medeiros, primeiro filho de João da Mota e de Breatiz de Medeiros, casou com Caterina da Costa, filha de Luís Fernandes da Costa; teve duas filhas. Miguel Botelho, segundo filho de João da Mota, casou com Solanda Cordeira, filha de João Roiz Cordeiro.
Matias Lopes de Araújo, primeiro filho macho de Lopeanes de Araújo, o Velho, casou com Eva Francisca, filha de Francisco Fernandes, de que não houve filhos; foi homem magnífico de condição, muito abastado e de grande casa, de muitos hóspedes e grande cavaleiro.
Miguel Lopes de Araújo casou com Catarina Luís, filha de Gaspar Pires, o Velho. Teve filhos: António de Araújo, discreto e bom sacerdote, vigairo na vila da Água do Pau, Manuel de Medeiros, solteiro, e Francisco de Araújo, casado em Lisboa; filhas: Ana de Medeiros e Maria de Medeiros. Ana de Medeiros casou com Gaspar Dias, nobre e rico mercador , filho de Manuel Dias , tem filhos e filhas; e Gaspar Dias serviu os nobres carregos desta ilha .
Maria de Medeiros casou com Manuel Rebelo, filho de Baltesar Rebelo; tem uma filha.
Hierónimo de Araújo, homem de grandes espritos, casou com Ana Pacheca, filha de Manuel Vaz Pacheco. Teve filhas: Isabel de Medeiros, casada com Paulo Gago da Câmara, filho de Rui Gago da Câmara; filhos, Francisco de Araújo, António de Araújo, e Gaspar de Araújo, ainda solteiros. Todos estes filhos e descendentes de Lopeanes são valentes de suas pessoas e homens de grandes espritos. E as filhas são de muita prudência e virtude.
Teve Lope Anes, o Velho, outra filha, chamada Francisca de Medeiros, que casou com João Gonçalves, o Bacharel, homem de muitas letras e conselho, de que teve um filho, chamado Hierónimo Gonçalves de Araújo , que casou com uma filha de Francisco Ramalho, sobrinho do dito Bacharel, que vieram a esta ilha da serra de Amarão, onde está o mosteiro e casa de S.
Gonçalo de Amarante, de grande romagem.
Foi este Lope Anes de Araújo, de grandiosa condição, teve grande casa, muito abastada e de muita lavrança, discreto, prudente, conversável, amigo dos nobres, entre os quais tinha tanta autoridade que o Capitão Rui Gonçalves da Câmara, terceiro do nome, o mandou a Portugal a fazer conta do que devia ao mosteiro, onde seu irmão Rui de Melo fora frade professo. E Barão Jácome Correia, por ele ser tanto seu amigo e homem tão grave, lhe rogou que fosse à ilha Terceira a receber a mulher em seu nome, o que ele fez, como se dele esperava, porque com sua pessoa autorizava as coisas e acudia a fazer amizades e concórdias em quaisquer discórdias que antre partes havia na terra, e tudo acabava e punha em paz, com muita discrição que tinha e com a gravidade e autoridade de sua pessoa; e por ser homem de quem se tinha grande confiança e fazer tudo bem feito, como foram as coisas do Capitão, em Portugal, e quando tornou, recebeu dele muitas honras e boas obras e sempre o teve em muita estima, porque era ele para isso, como foram depois e são seus filhos e netos.
E o mesmo Lope Anes se diz que foi casar a Pero Soares, Capitão da ilha de Santa Maria, à ilha da Madeira.
Têm estes fidalgos desta progénia dos Lopos ou Lobos as armas dos Araújos e Lobos.
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